publicado no dia 13.03.2019, por: Tais Semensato

O SXSW (South By Southwest), é um dos maiores eventos de inovação do mundo, que ocorre anualmente em Austin, Texas (EUA). Por que comecei falando sobre isso? Simplesmente porque esse é um dos eventos que mais influencia o mercado digital (e offline também) pois apresenta as maiores tendências em inovação e tecnologia para o ano. E um assunto em voga no evento desde o ano passado é que, definitivamente, estamos na era dos influencers e todas as marcas precisam estar atentas a isso.

Ok, usei este gancho para te perguntar: O que define um influencer hoje? Número de seguidores? Seu poder de “convencer” esse público? Sua carinha (nem sempre) bonita?

E já parou para pensar que todos nós somos potenciais influencers?

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Obviamente diferente de grandes nomes que possuem um número bizarro de seguidores, ganham milhões por posts de marcas e recebem mimos o tempo todo (uma pena né, eu também queria). O que quero dizer que todo mundo tem o poder de “influenciar” as pessoas, e você faz isso sem perceber, por exemplo, toda vez que dá um conselho à alguém.

Dito isso, você já sabe que boa parte dos posts aqui no blog são sobre temas relacionados a empresas, novas formas de trabalho, criatividade e inovação, mas este texto aqui é pra falar de uma característica mais humana: o ato de aconselhar outros humanos.

Existem vários ditados sobre conselhos, tenho certeza que você já ouviu algum:

“Se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia”
“Quem avisa, amigo é”
“1 grama de exemplos vale mais que 1 tonelada de conselhos”
“A ir a guerra e a casar, não se deve aconselhar”

Todos nós recebemos conselhos, todos nós damos conselhos. Mas o quanto estamos conscientes desta troca?

 

Sabe quando alguém se abre contigo, conta algum problema e você, obviamente sente-se na obrigação de dar um parecer sobre a situação? E isso ocorre sempre, vai lá, pelo menos 1 vez por semana!

E aí eu te pergunto: qual o seu nível de consciência na hora de dar esse “parecer”? O quanto você pensa antes de aconselhar algo a alguém?

 

 

Geralmente depende um pouco do nível de amizade com a pessoa e do seu nível de paciência no momento. Tem gente que se empenha em entender a situação e elaborar um argumento que realmente possa ajudar o próximo e tem gente que diz o que a pessoa quer ouvir só pra acabar logo o assunto.

Eu, por exemplo, me baseio em experiências passadas e no que eu observo das pessoas a minha volta, junto isso tudo com a minha percepção e conceitos de vida pré-definidos por educação, ambiente, convivência, caráter e blábláblá (tudo o que forma a minha personalidade) então minha cabeça cria um cenário que “aparentemente” tem mais chances de sucesso e explico isso tudo para a pessoa. Parece razoável não é?

Mas e aí, isso tudo foi baseado no que eu vivi, observei e nas coisas que eu criei dentro da minha cabeça. Pode ser que NADA se aplique para a situação real da pessoa. E provavelmente, se ela seguir algo, pode dar tudo muito errado.

OK, o ser humano é um animal que aprende através da experiência e observação e também está apto a transferir conhecimentos, mas talvez o que você tenta transmitir num conselho, funcione apenas para o seu próprio aprendizado.

A ideia não é se recusar a aconselhar as pessoas a partir de agora, o que eu quero dizer é que talvez tenhamos que ser mais cuidadosos ao dizer algo que pode influenciar diretamente nas decisões de alguém com seus problemas.

Agora quando alguém vem desabafar comigo e visivelmente espera uma reação minha, eu costumo tentar fazer a pessoa se questionar sobre algumas coisas, do tipo: “Então tá colega, mas o que você realmente espera dessa situação?”, “O que, de fato, está te incomodando?”, “Quais opções você enxerga agora?”, “Até onde você tem poder para fazer algo?”, e por aí vai.
De repente você entende que nem precisa dizer nada, na maioria das vezes a pessoa vai encontrar uma ideia do que fazer sozinha. Ela só precisava de alguém para estimular os questionamentos certos naquele momento.

 

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Muitas vezes, coisas que sugestionam as pessoas podem nem estar na forma de conselhos. Como eu disse, seres humanos aprendem observando, ou seja, seus hábitos, uma crítica aleatória, um elogio, uma opinião num papo à toa, tudo o que você expressa pode vir a mudar a ideia das pessoas a sua volta. Você mesmo, muito provavelmente, já foi afetado por isso. Quantas vezes já ouviu alguém comentando positiva ou negativamente sobre algo e criou uma opinião sobre o assunto baseando-se também nessas experiências?

Mamãe sempre dizia: “Palavra que sai da boca não volta mais”. Levo isso muito a risca hoje em dia (inclusive é um ditado que não coloquei lá no início do post porque queria citá-lo especialmente aqui, com os devidos créditos à mamãe, hehehe). Estamos em um momento muito peculiar, as pessoas nunca desejaram (e conseguiram) expressar e espalhar tanto suas opiniões por aí como agora. Por isso é importante ter plena consciência de que TUDO o que você diz, aconselha, faz, opina e replica, afeta a construção das ideias de alguém de alguma forma.

E por hoje é isso, só queria fazer vocês refletirem um pouco sobre os impactos do que dizemos aos outros, com ou sem intenção de influenciar.
Bom… E no final das contas esse post também ficou parecendo um grande conselho!

 

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