publicado no dia 25.07.2018, por: Tais Semensato
Parece confuso né? Mas eu juro que vou explicar tudo nesse post:

Desde o início das civilizações, o ser humano busca representar sua realidade por meio de diversos recursos, dentre eles, os signos ou símbolos são uma das formas mais marcantes e duradouras.

De tempos em tempos, nós seguimos a tendência de “atualizar” os símbolos utilizados, em busca de representar mais fielmente e de forma mais prática nossas emoções tão complexas e diversas. Um bom exemplo atual são os emojis, figuras simples com expressões humanas, de objetos, sinais, alimentos e animais, enviadas diariamente nas redes sociais, emails, smartphones e em quase todo e qualquer canal de comunicação digital hoje em dia.

Recentemente o Facebook publicou alguns dados bem curiosos em relação a esse tipo de símbolo, o que comprova sua importância na linguagem moderna. Os dados são incrivelmente expressivos, lembrando que neste caso falamos apenas de 1 rede social:

 

O Dia Mundial do Emoji (sim, existe um dia pra isso), foi comemorado esse mês — 17/JUL —  com o anúncio da Apple do lançamento de mais de 70 novos desenhos para o iOS 12. Novos emojis de animais, comidas e pessoas carecas, ruivas, grisalhas e encaracoladas serão adicionados.

Emoji é coisa séria e a Apple sabe disso

A atualização de emojis citada acima faz parte do movimento da empresa em prol da representatividade dos usuários, o que, diga-se de passagem, tem funcionado muito bem.

Em 2015 a campanha Disarm The Iphone — de um grupo a favor do controle de armas de fogo nos EUA — pressionou a empresa a mudar seu emoji de revólver para uma versão de brinquedo, em seguida outras companhias como Google, Facebook e Microsoft também seguiram a tendência, conquistando a simpatia de grande parte dos usuários.

Evolução dos emojis de arma nas plataformas

 

 

Já existe uma proposta de inclusão de pessoas com deficiência no pacote de emojis para 2019, na proposta — texto que pode ser acessado aqui — a Apple destaca ainda:

“A adição de emoticons emblemáticos às experiências de vida dos usuários ajuda a promover uma cultura diversificada que inclui a deficiência. Os emojis são uma linguagem universal e uma poderosa ferramenta de comunicação, bem como uma forma de expressão pessoal e, que podem ser usados não apenas para representar a própria experiência pessoal, mas também para mostrar apoio a um ente querido”.

Pode parecer até bobagem dizer que essas figurinhas tem papel importante na representatividade humana, mas pois é, tem sim.

E a questão aqui não é discutir o tipo de emoji que você usa no Whatsapp ou o quanto essas mudanças farão diferença na sua vida (talvez façam, eu tenho um amigo ruivo que ficou super feliz com o “emoji dele”), mas sim observar o esforço dessas empresas em desenvolver formas mais claras de seus usuários se comunicarem nas suas plataformas e o cuidado e preocupação com a identificação das pessoas com a sua marca/produto/recursos.

 

Vila Sésamo fez certinho

Essa semana — 18/JUL —  um tweet sobre o assunto viralizou e tem derretido o coração de quem simpatiza com a causa.

O usuário @shiphitsthefan publicou o seguinte diálogo ocorrido na aula de natação, sobre seu filho, uma criança com autismo.

A tradução seria:

“-Ele é engraçado!
disse uma menininha, apontando para o meu filho.

 -Quero brincar com ele.

-Seja gentil, disse sua avó.

-Eu assisti na Vila Sésamo,
e pulou ao lado do meu filho.

Era um Muppet autista que não se expressa verbalmente. Não venha me dizer que representatividade não importa.”

A personagem de Vila Sésamo, Julia, um Muppet com autismo e que não se comunicava falando como todos os outros, apareceu na tv em 2017.

Em entrevista ao Huffington Post, O autor do tweet explica que em momento algum a garota demonstrou sentimento de pena ou coisa parecida:

“Eu compartilhei este momento porque ele é o oposto da discriminação. Uma criança ‘perfeita’ que não enxergava alguém que precisava de ajuda, mas um semelhante; alguém que coexiste. Essa história é interessante porque não há um sujeito passivo, todos têm participação ativa nela. De repente, aquela área de lazer se elevou e democratizou graças à educação e compreensão”

A grande questão aqui é como a inclusão foi tratada no programa infantil. Geralmente, quando marcas buscam dar atenção a minorias, as colocam como protagonistas da história.

Neste caso, o que funcionou muito bem, foi mostrar que fazem parte um todo e são bem aceitas. Isso mostrou as crianças que podem tratar as outras sem distinção, mesmo que suas condições sejam diferentes.

Lembrando que isso não é uma regra, apenas um case que funcionou, mostrando mais uma forma de se trabalhar o assunto. Claro, há momentos em que realmente uma marca pode e deve dar voz a minorias como peça central de um contexto.

O que é mais interessante aqui é perceber o quanto essa questão tem poder de transformar a realidade. Não é apenas a sua marca seguindo uma tendência de comportamento para agradar os consumidores. Trata-se de realmente fazer a diferença e usar o seu poder de influência para tentar melhorar as relações humanas.

 

Entende onde quero chegar?

Já vimos que seres humanos precisam se expressar, gostam de histórias (falamos sobre storytelling nesse post aqui) e buscam constantemente fazer isso por meio de símbolos, além disso é muito importante que se sintam pertencentes da história que está sendo contada.

É importante para sua empresa entender que o público sente o desejo de se comunicar, se identificar e se sentir representado de alguma forma (falamos um pouco sobre como isso pode ser feito trabalhando a personalidade de marca, utilizando o exemplo da família Kardashian nesse outro post).

 

O resumo é: representatividade importa e tem sido trabalhada por diversas marcas. 

 

(tecnicamente deveria ser uma coisa tão natural que não precisaria de um post explicando, mas vamos lá…).

Pode ser feita de forma sutil, em recursos de linguagem, em design, em conteúdos da sua marca, em linhas de produtos, em projetos sociais. Enfim, seja criativo!

Apesar de tudo, cuidado para não exagerar, o consumidor está cada vez mais sensível e atento as estratégias de marcas que lhe impactam, ou seja, eles percebem quando um relacionamento é “forçado”. Então tenha sempre o bom senso como regra e óbvio, ser pioneiro é ganhar destaque mas também vale observar o que tem funcionado no mercado (assim como o exemplo de outras marcas que seguiram a Apple na mudança do emoji de arma de fogo).

Todas as pessoas são clientes em potencial e quanto mais elas se sentirem representadas, mais engajamento vão gerar e mais alcance e afeição do público sua marca terá.

Se precisar de uma inspiração sobre como sua comunicação pode ser mais assertiva nesse contexto, fale com a gente! ✌😉🚀

 

Conteúdo publicado também no Medium.