publicado no dia 22.08.2018, por: Wagner Salivan

Duas coisas sobre essa pessoa que vos escreve: eu nunca toquei em uma vaca e já morei em uma ilha. Sim, uma ilha.

Lá consegui meu primeiro “emprego”, eu era garçom em um restaurante, era péssimo. Eu tinha que falar com as pessoas, sorrir para elas como se eu realmente quisesse estar lá e ouvir as reclamações com o velho bordão na cabeça: o cliente sempre tem razão.

Por ironia do destino ou karma por ter xingando os clientes durante tanto tempo, resolvi fazer publicidade.

Sempre achei que o ambiente de uma agência era o lugar certo para mim, as coisas seriam lindas, tudo colorido, unicórnios, duendes felizes, tudo ia ser um lindo musical. O que na verdade virou um filme de terror de qualidade duvidosa.

Com a faculdade veio o mundo real e com o trabalho dentro da agência, a dúvida se tinha feito a escolha certa.

Passei por agências, experiências de vida e a certeza do que eu realmente queria fazer chegou, junto também chegaram novos conceitos do que uma agência de publicidade pode ser (nem sou tão velho assim, mas tudo mudou muito rápido). Assim como Leila Lopes, rodei, rodei e rodei até chegar aqui na GAS Rocket.

Porque essa introdução tão grande? Tudo para justificar que apesar de alguns poucos anos de carreira como criador de conteúdo/social media, muita coisa mudou e muita coisa vai mudar. Nesse período consegui fazer uma leve análise antropológica de como se dar bem em uma agência, mas não qualquer agência. Falo das novas agências, das start ups, das diferentonas, barrocas, millennials, que apesar de usarem muita coisa do modelo antigo, a premissa do trabalho tende a ser diferente.

Tá preparado? Então presta atenção no Manual de sobrevivência na agência diferentona:

1 VOCÊ NÃO VAI MUDAR O MUNDO

Acredito que entender essa frase por completo é o ponto inicial para não só achar a agência dos sonhos, mas permanecer nela. Entramos na faculdade cheio de esperanças, entramos nas agências e as esperanças ficam confusas.

Podemos mudar o mundo com nossas ideias, isso é um fato, esteja você em qualquer cargo na agência, mas ter noção que o macro muitas vezes não vai chegar em você é ter mais autonomia para criar com o que você tem.

Eu juro que não quero te desanimar, mas mantenha o pé no chão e siga para a próxima casa.

2 SEJA RESPONSÁVEL POR SUAS IDEIAS

Ok, você entrou na agência diferentona, sabe que não vai mudar o mundo tão rápido quanto você imaginou e continua com várias ideias. Seja responsável por elas. Aplique o máximo que você pode e desista só quando realmente não for aplicável.

Você pode não mudar o mundo logo de cara, mas uma ideia pode salvar a vida de um cliente ou garantir aquele aumento.

3 SAIBA O QUE ESTÁ FAZENDO ou O QUE QUER FAZER

Aprendizado é inevitável quando se está disposto a fazer parte de uma agência diferentona. Você pode aprender muita coisa, serião.

Com o financeiro, com o atendimento, com a redação, você aprende muita coisa mesmo, porém, saber o que está fazendo é essencial para aplicar suas ideias de fato e ser responsável por elas (vide 2).

Na agência diferentona, querendo ou não, todo mundo sabe de tudo um pouco — eu que o diga, todo mundo tem internet, logo todos entendem de social media — o que facilita o trabalho, porém, se posicionar no que sabe é essencial para o seu trabalho fluir melhor e se atentarmos ao que sabemos fazer e não no trabalho que outra pessoa está fazendo.

4 AME SEU TRABALHO, MAS NÃO MUITO

A regra do ame seu trabalho e não precisará trabalhar nem mais um dia na sua vida é mentira.

Você trabalha todos os dias, mesmo amando o que faz, tem dias que vai ficar pistola, tem dias que questiona muita coisa que está fazendo, e está tudo bem. Você pode ser um ótimo profissional, mas no final é humano.

Não tem como fazer comédia o tempo todo, a não ser que trabalhe com stand up, aí é trabalho mesmo.

Se passa metade do seu dia em lugar, cinco dias da semana, é obvio que em algum momento vai querer que as pessoas se explodam. Pode perguntar para os seus pais, eles quiseram isso em algum momento para você.

Mas não se desespere, ame seu trabalho, mas não muito. Você é um ótimo profissional e faz o que quer fazer, mas tenha uma vida à parte dela.

Dessa forma, nenhuma consome a outra e tem espaço para amar duas partes da sua sua existência, seu trabalho e o seu pessoal. Basicamente é tipo aqueles filmes da sessão da tarde onde o protagonista tem que equilibrar a vida. Não espere o plot twist, já esteja na parte final do filme, onde está tudo bem.

5 CONHEÇA SEUS AMIGOS DE TRABALHO

Viu que eu coloquei amigo ali, né? Então, de fato, seja um amigo.

Conversar com as pessoas que convivem a maior parte do tempo com você é bom para o seu espaço como coletivo. Pergunte coisas, conheça e vá além do: “Entregou o relatório?”

Ou pior, aqueles happy hour que as pessoas ficam em silêncio a maior parte do tempo, porque ninguém consegue trocar uma palavra que não seja sobre o trabalho ou reclamar de um cliente em comum.

As vezes saber que alguém nunca tocou em uma vaca é assunto para o dia inteiro.

6 UM TÓPICO PARA OS LGBT+

Sou gay e achar um ambiente onde eu não tenha que esconder isso fez minha vida muito melhor.

Se alguém te impedir de você ser você, sai correndo.

Obrigado.

7 CEDA, PORÉM SE POSICIONE

Parece que uma pessoa confusa está escrevendo (talvez um pouco), mas é um fato.

Para aprender, evoluir, crescer no seu ambiente de trabalho, tem que ceder. Achar a diplomacia entre o que você precisa, seus chefes precisam e principalmente o que a cliente precisa. Mas não seja um garçom, onde o cliente sempre tem razão.

Lembra do tópico 2? Seja responsável por suas ideias, as vezes temos que deixar claro nosso posicionamento sobre decisões que também envolvem parte do nosso trabalho.

8 TENHA ALGUMA META

Sim, você é incrível, seu trabalho é incrível, mas o fato de estar em uma agência diferentona não é suficiente. Alcance o que quer e crie novas metas.

E lembre: elogios e tapinhas nas costas não são suficientes. Você pode querer mais. E se, assim como eu, acredita na agência onde está, se imagine crescendo junto com o espaço. Reconhecimento vem em diferentes formas, saiba aplicá-las quando realmente forem aplicáveis. Tapinhas nas costas não pagam boletos e pagar boletos não é elogio, é uma obrigação.

Se esse texto foi aprovado e você leu até aqui, parabéns, significa que já entrou ou vai entrar na agência diferentona dos seus sonhos.

Tome como regra, não aplique nada, faça o que quiser. No final, esse manual foi baseado em minhas experiências, as suas podem ser completamente diferentes.

Tem alguma experiência diferente? Conta para gente, vamos atualizar esse manual aí.

Espero ter te confundido!

Quer vir para uma agência diferentona? Estamos com vagas abertas.

Corre na nossa página ver.